quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Pode abortar, mas não pode dar palmadas!?

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Sei que o uso dos sinais ortográficos acima (exclamação e interrogação) não é o mais indicado, pois uma frase deveria ter uma só entonação, mas faço esse uso de propósito, pra mostrar o quanto eu estou confuso com certas propostas de leis neste país. Creio que o leitor haverá de concordar comigo, ao fim desta leitura, que o assunto a seguir é, no mínimo, confuso.

Em meados de julho o governo federal apresentou um novo projeto de lei, pelo qual passa a ser crime as antigas palmadas dadas nas crianças, como forma de correção-educação.

Pe. Silvio, MIC
Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia
Quanto às palmadas em si, não tenho uma opinião totalmente formada sobre serem ou não algo que traga um bom resultado. Como a maioria do povo brasileiro tem dito, eu também levei algumas quando criança e, ainda como a maioria, hoje vejo isso como parte integral da minha educação. Não vejo que me trouxe nenhum malefício. Não tenho mágoa dos meus pais por isso (das palmadas da minha mãe, lembro que eu me divertia, pois ela “batia” com tanta dó que, com certeza, doía mais nela mesma). Também não desenvolvi nenhuma outra conseqüência anti-social. Ao contrário,
vejo que me ajudaram a desenvolver a correta noção de certo e errado.

Ainda assim, deixo a discussão dos benefícios ou malefícios das palmadas ao especialistas. Respeito os educadores que dizem que há outras formas de educar, baseadas principalmente no diálogo. Seria mesmo o ideal (ainda que nem sempre o ideal se adeque ao real).

Mas a minha confusão não está no sim ou não às palmadas. Esse é um assunto que a sociedade deve mesmo discutir. O que eu vejo como uma enorme contradição é o fato de que os “defensores das criancinhas”, contra a “famigerada” palmada, são os  mesmos defensores do aborto. Afinal de contas, matar não é pior do que punir? Vejamos bem a discrepância que nos é proposta: de um lado o governo Lula grita em alto e bom som que o aborto deve ser um “direito” das mulheres, até o fim da
gravidez, ou seja, que a criança no ventre materno, até 9 meses, pode ser trucidada, queimada com sal ou esquarteja e que isto está tudo bem. Uma criança que, como nos prova a ciência, já desde os primeiros meses começa a ouvir, perceber o ambiente e até mesmo, em dado momento, a sentir dor.
Ao mesmo tempo, a criança que teve a graça de ter pais contra o aborto, não pode receber palmadas. Se as palmadas podem trazer conseqüências na personalidade da criança (não está comprovado!), o aborto não traz consequencias na sua personalidade, pois ela não terá oportunidade de desenvolvê-la, ela foi assassinada. Mas as conseqüências não se fazem por esperar nas mães que abortaram...

A contradição em tudo isso é relativamente fácil de explicar. Parte da nossa sociedade, e principalmente os nossos governantes, expulsaram a vontade de Deus de suas vidas. Eles crêem, como Eva e Adão erroneamente o fizeram, que cabe ao homem decidir o que é certo e o que é errado, por si só. Daí tantas leis, muitas vezes contraditórias. Aliás, quanto mais longo for o código de leis de uma sociedade, mais essa sociedade demonstra estar confusa e doente. As leis são uma
tentativa de coibir as tantas desordens dentro da mesma.

Jesus disse aos fariseus: “...hipócritas! pagais o dízimo da hortelã (...), mas desobedeceis os pontos mais importantes da Lei: a justiça, a misericórdia e a fidelidade! (...) Guias cegos, coais um mosquito, mas engolis um camelo!” (Mt 23,23-24).

Claro que toda lei que venha a defender as crianças é bem vinda, mas é hipocrisia defender de palmadas e, ao mesmo tempo, legalizar o aborto. A hipocrisia é fruto de um coração cheio de orgulho, que não ouve a Deus, mas somente a si mesmo. Que o Senhor, na sua misericórdia, nos dê governantes tementes a Deus e cidadão conscientes.


Pe. Silvio, MIC
Diretor do Apostolado da Divina Misericórdia

Um comentário:

  1. A igreja católica tem seu posicionamento bem definido, e nós evangélicos?

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